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Quanto Mais Quente Melhor

Doces com coração (e umas coisas salgadas pelo meio). Food porn descarado da cozinha (e das viagens) de uma jornalista doceira.

Quadrados de dois chocolates, caramelo e biscoito

Abandonem de vez o Twix que costumam comprar no café quando estão mesmo a precisar de uma dose de chocolate. Estes quadrados (altamente pornográficos e não aconselháveis a gulosos mais sensíveis) são a solução perfeita para os vossos ataques de desejo por uma coisa doce e reconfortante.

 

Senão vejam: por baixo, uma camada de biscoito crocante tão delicada que se desfaz na boca; no meio uma cama de caramelo rico; por cima, chocolate negro salpicado de chocolate branco a compor uma camada lustrosa de coisas boas.

 

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Ingredientes:

(Para a base)

1 + 3/4 chávenas de farinha

2/3 chávena de açúcar em pó

1/4 chávena de farinha maizena

1/2 c. chá de sal

170 gr. manteiga

 

(Para o caramelo)

225 gr. de açúcar amarelo

100 ml de água

150 ml de natas

50 gr. de manteiga

1/2 colher de chá de sal

 

(Para a cobertura de chocolate)

200 gr. de chocolate negro (70% cacau)

80 gr. de chocolate branco

 

Comecem por untar com manteiga e forrar com papel vegetal um tabuleiro retangular com mais ou menos 30 por 20 centímetros. Depois, tratem da base de biscoito. Coloquem no robô de cozinha a farinha, o açúcar em pó, a farinha maizena e o sal e misturem durante alguns segundos. Juntem depois a manteiga em cubos e voltem a ligar o robô até o preparado se parecer com pequenas migalhas de pão.

 

Espalhem a mistura no fundo da forma e pressionem bem com os dedos para que fique compacta e nivelada. Coloquem no frigorífico durante 20 minutos.

 

Enquanto isso, toca a aquecer o forno a 175º. Passado o tempo no frigorífico, coloquem a base no forno durante cerca de 25/30 minutos (até estar tudo bem dourado).

 

Retirem do forno e deixem que arrefeça completamente.

 

Entretanto, façam o caramelo. Levem o açúcar e a água ao lume até obterem um caramelo relativamente escuro (cuidado para não queimar). Juntem as natas e a manteiga cortada em cubos, mexam e deixem que a mistura ferva de novo até começar a despegar-se das paredes do tacho (se as natas e a manteiga tiverem sido adicionadas com o caramelo no ponto certa demora muito pouco tempo até chegarem a este estado).

 

Retirem o caramelo do lume e espalhem-no sobre a vossa base de biscoito, movendo a forma para que o caramelo cubra todos os cantinhos. Por cima, salpiquem a meia colher de chá de sal.

 

Enquanto o caramelo arrefece, vamos ao chocolate. Derretam em banho maria, em dois recipientes diferentes, o chocolate negro e o chocolate branco. Quando estiverem derretidos, espalhem primeiro o chocolate negro por cima da camada de caramelo e com a ajuda de uma espátula alisem-no bem para que a camada fique homogénea. Por cima, coloquem colheradas do chocolate branco e, com um palito, desenhem movimentos aleatórios para criar o efeito marmoreado entre os dois chocolates.

 

Batam a forma uma ou duas vezes na bancada da cozinha para que a camada de chocolate fique bem lisa.

 

Levem o vosso doce ao frigorífico e, quando estiver bem firme, retirem-no da forma puxando as pontas do papel vegetal. Cortem pequenos quadrados com uma faca afiada.

 

Comam um...ou dois...ou três. O desafio é ver se conseguem parar de comer mais.

Madalenas de baunilha e chocolate

Não posso ter nada novo. É essa a primeira grande verdade de 2016. A minha cozinha está a rebentar pelas costuras de formas, gadgets, coisas inimagináveis com propósitos que não lembram a ninguém. Mas faltava-me uma forma para madalenas, daquelas como os franceses fazem, pequeninas e onduladas de um lado.

 

Ora a forma já lá foi parar a casa e claro que teve de ser testada com esta receita de madalenas (dividida ao meio entre baunilha e chocolate).

 

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Ingredientes (para umas 30, por isso podem dividir a receita ao meio, se quiserem menos):

2 chávenas de farinha

1 chávena de açúcar

2 colheres de sopa de açúcar amarelo

1 c. chá de fermento em pó

225 gr. de manteiga derretida

6 ovos

1 colher de sopa de mel

1 c. chá de extrato de baunilha

2 c. sopa de cacau em pó

 

Comecem por bater os ovos com os açúcares com uma batedeira durante 10 minutos, até que a mistura fique muito pálida, fofa e tenha triplicado de volume.

 

Numa tigela, misturem a farinha com o fermento e o sal. Peneirem esta mistura para cima dos ovos batidos com os açúcares, em duas vezes, envolvendo com cuidado entre cada adição.

 

Depois, juntem a manteiga derretida, em duas ou três vezes, envolvendo entre cada adição para que a massa não perca demasiado ar. Juntem o mel e a baunilha e mexam de novo.

 

Dividam a massa em duas partes e para uma delas peneirem o cacau em pó. Envolvam até estar bem misturado.

 

Coloquem as duas massas no frigorífico e deixem que descansem por mais ou menos duas horas.

 

Passado este tempo, aqueçam o forno a 175º, untem bem a forma de madalenas com manteiga e polvilhem com farinha. Deitem colheradas da massa de baunilha até encherem dois terços de cada orifício (mais ou menos uma colher de sopa cheia). Levem ao forno por 8 a 10 minutos, até estarem douradas.

 

Retirem do forno e, para desenformar, batam com a forma na bancada da cozinha. Se tudo correr bem, as madalenas vão soltar-se sem problemas. Deixem que arrefeçam sobre uma grelha.

 

Lavem a forma, voltem a untá-la e a polvilhá-la e a repetir o processo de cozedura com a restante massa de baunilha e depois com a de chocolate.

 

Podem comer as madalenas ainda mornas ou guardá-las num recipiente fechado para comer mais tarde na companhia de um chá.

 

Nota: Se não tiverem forma para madalenas, claro que podem usar uma forma de queques. O sabor será o mesmo mas o aspecto e a textura serão diferentes (na forma como a que comprei as madalenas costumam ficar com as pontas ligeiramente crocantes).

 

 

 

 

Biscotti de lima e sementes de papoila (com chocolate branco)

Para quem nunca procurou a definição da palavra biscotti (provavelmente a maioria de vocês), eu explico: traduzido à letra, biscotti significa cozido duas vezes. E é isso mesmo que estes biscoitos são.

 

Este tipo de biscoito é muito saboreado em Itália e é feito com os mais variados aromas e acrescentos. A massa é cozida em formato de tronco a primeira vez. É depois retirada do forno, fatiada na diagonal e levada de novo ao forno. Cozida, portanto, duas vezes, para que acabemos com uns biscoitos crocantes e duráveis, quando guardados numa caixa bem fechada.

 

A minha avó não lhes chamava biscotti mas fazia uns muito simples que me lembro de comer em pequena a acompanhar uma bebida quente. Andei em experiências com sabores de que gosto e acabei com estes biscotti maravilhosos, de lima e sementes de papoila, pornograficamente mergulhados até meio em chocolate branco.

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Ingredientes:

200 gr. de açúcar

350 gr. de farinha

55 gr. de manteiga à temperatura ambiente

1 c. chá de fermento em pó

1/2 c. chá de bicarbonato de sódio

1 pitada de sal

2 ovos

25 gr. de sementes de papoila

Raspa de duas limas

3 c. sopa de sumo de lima (deverá ser aproximadamente o sumo das duas limas a que tiraram a raspa)

(Para a cobertura)

200 gr. de chocolate branco

Mais raspa de lima

 

Comecem por aquecer o forno a 180º e por forrar um tabuleiro grande com papel vegetal.

 

Batam a manteiga com o açúcar e a raspa da lima até estar tudo ligado. A mistura não vai ficar cremosa mas é normal. Juntem os ovos, um a um, e batam entre cada adição.

 

Depois, é tempo de juntar à festa o sumo de lima, a farinha, o fermento em pó, o bicarbonato de sódio, o sal e as sementes de papoila e bater tudo até a massa estar ligada e começar a soltar-se dos lados da tigela.

 

Polvilhem o vosso tabuleiro forrado com um pouco de farinha e despejem a massa para lá, dividindo-a em duas partes. Com as mãos enfarinhadas, formem dois troncos com cada uma das partes e deixem um espaço considerável entre cada um, porque vão crescer bastante no forno.

 

Levem o tabuleiro ao forno durante 15 a 20 minutos, até o topo estar com rachas e as pontas estarem douradas. O meio não deve estar muito mole para que consigam depois cortar os troncos em fatias.

 

Deixem que os troncos arrefeçam até conseguirem manuseá-los e com uma faca serrilhada cortem fatias relativamente largas (na diagonal, que o efeito é mais bonito).

 

Coloquem as fatias alinhadas de novo no tabuleiro, com uma das faces cortadas para cima e um pequeno espaço entre elas para que tostem a toda a volta. Levem-nas de novo ao forno durante uns 15/20 minutos.

 

Devem retirá-las quando a crosta estiver bem dourada e estiverem firmes no centro. Podem ainda sentir o centro a ceder muito ligeiramente mas isso não é mau, porque vai continuar a endurecer enquanto os biscoitos arrefecerem e se os deixarem endurecer demais no forno podem ficar como pedra depois de frios.

 

Quando os biscoitos estiverem frios, derretam o chocolate em banho maria e molhem nele a extremidade de cada um. Com a ajuda de um pincel de pastelaria podem espalhar melhor o chocolate para que a camada não fique muito espessa.

 

Polvilhem por cima das pontas mergulhadas em chocolate mais algumas raspas de lima e deixem que tudo solidifique em cima de uma folha de papel vegetal.

 

Se sobrar algum para contar a história no final do dia, guardem-nos numa caixa bem fechada e vão ver que duram uns bons dias.

Pecados de chocolate e manteiga de amendoim

 

São mesmo pecados (pelo menos no que diz respeito à ingestão de açúcar), estes quadrados para combater dias mais deprimidos. Para esse mal, não há remédio melhor do uma guloseima que junte esta dupla imbatível: chocolate e manteiga de amendoim. Umas pedrinhas de sal no topo dão uma supresa final depois do fogo de artifício que já tinha passado pelo palato.

 

Sim, é coisa muito americanizada mas por cá já se encontra a manteiga do dito fruto seco em quase todos os supermercados e nós, no Quanto Mais Quente Melhor, não temos vergonha de adotar os melhores e mais pecaminosos hábitos das terras do Tio Sam.

 

Ingredientes:

3/4 chávena de açúcar

3/4 chávena de açúcar mascavado escuro

85 gr de manteiga

1 colher de sopa de óleo

3/4 chávena de manteiga de amendoim

1 ovo

1 clara de ovo

1/2 chávena de farinha

1/2 chávena de bolachas digestivas trituradas

1 colher de chá de fermento em pó

1/4 colher de chá de sal (mais umas pedrinhas para salpicar o topo)

150 gramas de chocolate (70% cacau)

 

Comecei por aquecer o forno a 175º e por untar com manteiga, forrar com papel vegetal e polvilhar com farinha uma forma quadrada (não muito grande).

 

Coloquei os açúcares, a manteiga amolecida e o óleo numa tigela e bati com a batedeira até ficar fofo. A isto, juntei a manteiga de amendoim e bati bem, até estar tudo envolvido. Juntei depois o ovo e a clara de ovo e liguei bem a mistura.

 

Noutra tigela, juntei a farinha com o fermento em pó e o sal e mexi para que tudo ficasse misturado. Juntei os pós ao preparado de manteiga de amendoim e envolvi bem (a massa vai ficar bastante espessa, é mesmo assim). Coloquei a massa na forma, espalhei bem com uma espátula para ficar nivelada e coloquei no forno durante mais ou menos 25/30 minutos. Quando estiver pronta, deve estar dourada, o palito deve sair limpo do centro mas a massa ainda deve parecer mole.

 

Deixei este bolo rico de manteiga de amendoim arrefecer e, enquanto isso, derreti o chocolate em banho-maria. Espalhei o chocolate acabado de derreter em cima do bolo (ainda na forma), salpiquei com umas pedrinhas de sal, que devem ficar visíveis no topo, e deixei que o pecaminoso chocolate solidificasse. Podem colocar no frigorífico para ficar mais sólido e ser mais simples de cortar aos quadrados.

 

Quando estiver bem firme, basta puxar pelo papel vegetal para desenformar e com uma faca longa e afiada cortar aos quadrados, tendo cuidado para não rachar muito o chocolate nem esborrachar a camada de bolo.

 

Medalha de ouro com os adultos e os miúdos lá de casa.

Tarte de Chocolate e Caramelo Salgado

Eu sei, eu sei..."Lá vem o Quanto Mais Quente Melhor dar cabo da dieta à malta", pensam vocês. E vem, digo eu. Mas vale bem a pena.

 

Esta tarte é coisa de gente crescida. A base amanteigada de cacau e amêndoa recebe um recheio de caramelo salgado e uma cobertura de ganache de chocolate salpicada com flor de sal que vão deixar um fio de baba a escorrer-vos pela cara.

 

Os miúdos lá de casa podem achar que a conjugação de sabores é demasiado forte para os seus palatos. E é. Mas nós também não os chamámos para provar.

 

 

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Ingredientes:

(Para a base)

160 gr. farinha

30 gr. de amêndoa moída

30 gr. de cacau em pó

50 gr. de açúcar

1/4 de colher de chá de sal

110 gr. de manteiga fria cortada em pedaços

1 colher de chá de extrato de baunilha

1 ovo

1 a 2 colheres de sopa de água bem fria

 

(Para o caramelo)

300 gr. de açúcar

1/2 chávena de água

120 ml de natas

70 gr. de manteiga

1 colher de chá de sal

 

(Para a ganache de chocolate)

120 ml de natas

120 gr. de chocolate (70% de cacau)

 

Flor de sal q.b. para salpicar no topo

 

Comecemos pela base. Coloquem num robô de cozinha a farinha, a amêndoa, o cacau, o açúcar e o sal. Ponham o robô a funcionar até estar tudo misturado. Juntem a manteiga e liguem de novo o robô até a mistura se assemelhar a migalhas de pão. Juntem o ovo, a baunilha e a água (comecem por juntar apenas uma colher e ponham mais apenas se a massa ainda estiver seca) e misturem no robô até a massa começar a formar uma bola.

 

Se quiserem fazer a massa à mão, basta misturarem os ingredientes secos, juntar depois a manteiga e com um garfo ir misturando tudo. Finalmente, juntem o ovo, água e a baunilha e voltem a misturar com o garfo.

 

Formem uma bola com a massa (sem amassar), embrulhem-na em película aderente e levem-na ao frigorífico por pelo menos 30 minutos.

 

Passado esse tempo, untem uma tarteira com manteiga e aqueçam o forno a 180º. Estendam a massa com um rolo entre duas folhas de papel vegetal, retirem o papel de um lado, transfiram-na para a tarteira e, com cuidado, retirem o papel do outro lado. Aconcheguem a massa na tarteira e colem alguns pedaços que possam ter-se partido.

 

Cubram a massa com uma folha de papel vegetal e por cima coloquem feijão ou grão seco para que não suba durante a cozedura. Levem ao forno durante cerca de 15 minutos. Passado esse tempo, retirem do forno, tirem os pesos e a folha de papel vegetal e devolvam ao forno por mais 10 a 15 minutos, até estar firme.

 

Retirem e deixem arrefecer totalmente antes de desenformarem.

 

Entretanto, façam o caramelo: levem o açúcar e a água ao lume e deixem que se transformem num caramelo bem dourado (cuidado para não queimar e para não se queimarem). Assim que estiver feito o caramelo, retirem momentaneamente do lume e adicionem as natas. A mistura vai borbulhar que nem uma louca. Levem de novo ao lume por mais uns dois minutos, até estar tudo bem ligado. Já fora do fogão, juntem a manteiga e o sal e mexam até derreter.

 

Permitam que o caramelo arrefeça uns minutos. Desenformem a base e coloquem-na no prato de servir e deitem o caramelo por cima, espalhando bem para que cubra todos os cantinhos. Levem ao frigorífico por pelo menos uma hora.

 

Terminado esse tempo, levem as natas para a ganache ao lume. Assim que começarem a ferver, vertam-nas sobre o chocolate partido aos pedaços. Esperem um minuto (paciência, senhores, paciência) e mexam bem até o chocolate estar todo derretido.

 

Deitem a ganache por cima do caramelo e espalhem-na com uma espátula para que fique bem nivelada. Levem ao frigorífico por pelo menos duas horas ou durante a noite.

 

Antes de servirem, esperem até a tarte ficar à temperatura ambiente, salpiquem o topo com flor de sal e deixem que os gulosos lá de casa se deliciem.

Bolo Bundt de Chocolate (para fazer um brilharete)

Bundt parece um nome pomposo mas é apenas o título que geralmente se dá ao tipo de formas que oferecem este resultado final. O molde nasceu num bolo de fruta tradicional europeu (ali das zonas da Alemanha e Áustria) mas o nome Bundt foi popularizado por uma empresa que começou a fabricar formas destas nos EUA nos anos 50.

 

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Se não tiverem uma destas formas podem perfeitamente usar uma comum forma de buraco mas a verdade é que o brilho da ganache da cobertura fica ainda mais reluzente quando despejado em cima das curvas de um bolo saído de uma forma destas.

 

Este bolo não é só fogo de artifício no formato. Tem um ingrediente especial e pouco comum na nossa doçaria que lhe dá uma textura muito particular. É, sem dúvida, um bolo para impressionar os amigos. Vão ouvir interjeições de espanto quando olharem para ele e sons de alegria quando o provarem.

 

Ingredientes:

 

(para o bolo)

2 chávenas de farinha

1/2 chávena de cacau em pó

1 c. chá de bicarbonato de sódio

1 c. chá de pó royal

1 c. chá mal cheia de sal

1/2 chávena de leite

1/2 chávena de natas azedas (cá está o ingrediente especial, o sour cream, que já conseguem encontrar em cadeias como a Aldi ou no supermercado do El Corte Inglés)

225 gr de manteiga à temperatura ambiente

1 + 1/2 chávena de açúcar

4 ovos grandes

1 c. chá de extrato de baunilha

 

(para a cobertura)

85 gr de chocolate (70% cacau)

1/2 chávena de natas

2 c. sopa de manteiga

 

Comecem por untar a forma com manteiga e por aquecer o forno a 175º.

 

Misturem a farinha, o cacau, o sal, o bicarbonato de sódio e o pó royal numa tigela. À parte juntem o leite às natas azedas e envolvam.

 

Noutra tigela, batam o açúcar com a manteiga até a mistura estar fofa e esbranquiçada. Adicionem depois os ovos, um a um, batendo entre cada adição, e a baunilha.

 

Juntem depois com jeitinho a mistura de farinha e cacau em duas vezes, alternando com o preparado de leite e natas azedas, e começando e terminando com a mistura de farinha.

 

Coloquem o preparado na forma, alisem o topo, e levem ao forno por mais ou menos 45 minutos. Vão espreitando para ver se o palito sai limpo mas tenham cuidado para não o deixar cozer em demasia. Tentem tirá-lo um bocadinho mais mal do que bem cozido, assim fica muito mais húmido e pecaminoso.

 

Desenformem o bolo e deixem que arrefeça. Entretanto, preparem a cobertura. Levem as natas ao lume até começarem a ferver. Numa tigela, coloquem o chocolate partido em pedaços e deitem as natas acabadas de ferver em cima. Esperem um ou dois minutos, juntem a manteiga e mexam tudo bem até ficarem com um creme brilhante e quase pornográfico.

 

Deixem a mistura arrefecer um pouco até começar a ficar mais espessa. Finalmente, deitem-na por cima do bolo às colheradas, deixando que escorra pelos lados.

 

Sirvam aos amigos na certeza de que eles vão voltar para uma segunda fatia.

Eton mess de iogurte grego e chocolate branco

Pronto, está bem. Isto não é bem Eton Mess. Para os que nunca ouviram falar no termo, eton mess é uma tradicional sobremesa britânica muito simples que mistura natas batidas com morangos e suspiros.

 

Esta versão aldraba as origens: usa iogurte grego em vez de natas e leva um acrescento de chocolate branco só para tornar a receita ainda mais pecaminosa.

 

Aproveitem os últimos (bons) morangos do ano para a fazer.

 

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Ingredientes:

4 iogurtes gregos (usei iogurtes light mas sintam-se à vontade para usar a versão normal)

125 gr de suspiros (podem fazê-los em casa mas o tempo quente não pede forno ligado e os de compra são bem bons)

Sementes raspadas de meia vagem de baunilha

75 gr. de chocolate branco

500 gr. de morangos

1 c. sopa de açúcar

 

Comecem por colocar 150 gr dos morangos num liquidificador ou robô de cozinha com a colher de sopa de açúcar. Triturem até obterem uma espécie de molho. Retirem os pés dos restantes morangos e cortem os mais pequenos ao meio e os maiores em quartos.

 

Numa tigela, misturem as sementes de baunilha com os iogurtes. Adicionem os morangos cortados, o molho de morangos e os suspiros partidos (esmaguem-nos com as mãos, deixem uns pedaços maiores e outros mais pequenos).

 

Com cuidado, envolvam tudo com uma ou das mexidelas, só o suficiente para combinar os ingredientes mas não exagerem, não queremos acabar com uma mistura cor de rosa e sem pedaços de suspiro para trincar.

 

Transfiram a mistura para uma taça de servir grande ou para pequenas taças de sobremesa.

 

Derretam o chocolate em banho maria ou no microondas e façam escorrer sem grande preceito o chocolate em fio por cima da sobremesa. O chocolate vai ficar sólido ao arrefecer e dar ao doce mais uma textura crocante (para além da dos suspiros).

 

Decorem com mais morangos inteiros e suspiro e tentem servir pouco tempo depois para que não percam o crocante dos suspiros.

 

É tão fácil de preparar esta confusão de coisas boas que podem pôr tudo a jeito enquanto os comensais lá de casa acabam o prato principal do almoço.

 

Pãezinhos (carregados) de Nutella

Antes que se perguntem (e porque o tema anda na ordem do dia), se alguém me pagou para falar sobre Nutella neste post, não pagaram. Zero. Nem um tostão. Mas é preciso falar-se de coisas boas e Nutella, para 99,9% da população mundial, encaixa nessa categoria.

 

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No que aos cremes de chocolate diz respeito, a minha infância sabe a Tulicreme (de novo, nem um tostão), não a Nutella. Só me lembro de provar Nutella mais tarde, já na adolescência. O primeiro é de qualidade duvidosa mas saber-me-á sempre como se fosse feito com o melhor chocolate belga, a nostalgia tem destas coisas. O segundo, mistura chocolate com avelã e faz uma aparição no interior dos melhores bonbons que me podem dar no Natal, os Ferrero Rocher (nope, não recebi qualquer remuneração). E só isso já diz muito do bom que é.

 

Esta receita pode também ser feita com chocolate à séria, com 70% de cacau, mas Nutella encurta o processo e sabe muito, muito bem.

 

A massa rouba um bocadito de tempo mas vale a pena o investimento. Toda a gente se vai lambuzar.

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Ingredientes:

250 gr. de farinha e mais alguma para polvilhar

120 ml de leite

50 gr + 1 c. chá de açúcar

45 gr. de manteiga amolecida (não derretida)

1 colher e meia de chá de fermento de padeiro granulado e instantâneo

1 ovo grande + 1 para pincelar

1/2 c. de chá de sal

 

(Para o recheio)

300 gr. de Nutella

 

Comecem por aquecer o leite com a colher de açúcar no microondas até que fique morno (não a ferver). Retirem-no e juntem o fermento. Esperem uns 10 minutos até que comece a formar-se uma espécie de espuma no topo.

 

Se quiserem facilitar o processo e tiverem máquina de fazer pão, usem-na para fazer a massa. Coloquem os ingredientes por esta ordem na cuba: mistura de leite com fermento, ovo previamente batido com o açúcar, farinha, sal e manteiga. Iniciem o programa de "Massa" e aguardem que termine.

 

Se quiserem fazer a massa à mão, coloquem a farinha e o sal numa tigela grande. À parte juntem o ovo previamente batido com o açúcar à mistura de leite e fermento. Adicionem esta mistura líquida à farinha e ao sal e mexam. Juntem depois a manteiga e mexam até estar tudo incorporado. Depois, é tempo de meter a mão na massa. Amassem durante uns dez minutos. A massa é pegajosa, por isso, é melhor fazerem isto à mão dentro da tigela ou então com uma batedeira.

 

Depois de amassarem, cubram a massa com um pano e deixem que levede por uma hora num sítio quentinho.

 

Nesta altura, tendo feito a massa à mão ou na máquina, estamos no mesmo ponto.

 

Coloquem uma folha de papel vegetal grande em cima da pedra da vossa cozinha e polvilhem-na com farinha. Atirem lá para cima a massa e estendam-na com um rolo da massa enfarinhado até terem um rectângulo bem grande e fininho. Nesta altura, deixem a massa descansar mais uns 10 minutos.

 

Enquanto isso, aqueçam o forno a 180º.

 

Espalhem a Nutella uniformemente por cima do rectângulo com uma espátula, deixando umas pequenas margens de segurança. De seguida, enrolem a massa como se fosse uma torta, a partir do lado mais pequeno do rectângulo. Se a massa estiver a pegar-se à folha de papel vegetal, recorram à ajuda de um Salazar, de uma espátula ou de um raspador de massa para fazer o rolo. Lembrem-se, podem fazer isto devagarinho, é preciso é que fique bem feito e apertado.

 

Quando chegarem ao fim, cortem o rolo com uma faca enfarinhada em 12 pedaços iguais. Entretanto, untem com manteiga uma forma para muffins com doze buracos e coloquem cada um dos pedaços de massa nos orifícios, espirais de Nutella viradas para o fundo e para o topo.

 

Pincelem o topo dos vossos pãezinhos com ovo batido com um pouco de água e levem ao forno durante 15 a 20 minutos, até que tenham crescido e estejam bem dourados no topo. Salpiquem o fundo do vosso forno com um pouco de água no momento em que colocarem o tabuleiro lá dentro, para garantir que os pães crescem o máximo possível.

 

Retirem do forno, deixem arrefecer completamente, desenformem com cuidado e devorem. Aposto que não vão conseguir comer só um.

 

Bolo de chocolate e morangos (com natas baunilhadas)

Não podia ignorar a gigante (e bonita) caixa de morangos que tinha lá em casa. Abri o frigorífico, eles olharam para mim e disseram-me com ar pedinchão: "a sério que nos vais comer só assim, não queres fazer alguma coisinha melhor connosco?". E eu tive de inventar qualquer coisa.

 

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Ainda não estamos no auge da época dos morangos mas já se encontram espécimes à altura para comer ao natural ou para fazer sobremesas primaveris.

 

Desta feita, fiz um pão de ló de chocolate muito leve (que se o bolo fosse denso, teríamos sobremesa demasiado pesada), recheei-o e cobri-o com natas aromatizadas com baunilha e coloquei no topo os gloriosos morangos.

 

Aproveitem também para experimentar esta receita com os próximos morangos que comprarem.

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Uma nota prévia: dividi a massa entre duas formas de 20 cm para fazer dois bolos e o resultado final ficou apenas com essas duas camadas altas mas podem perfeitamente cortar as duas camadas ao meio e acabar com um magnífico bolo de quatro camadas.

 

Ingredientes:

6 ovos

200 gr. de açúcar

85 gr. de farinha

85 gr. de amido de milho (farinha maizena)

2 c. chá de fermento em pó

40 gr. de cacau em pó

6 c. sopa de água a ferver

 

(Para o recheio e cobertura)

400 ml de natas para bater

2 c. sopa de açúcar

1 c. chá de pasta ou extrato de baunilha

500 gr. de morangos

1/2 chávena de açúcar + 2 chávenas de água (para a calda)

 

Comecem por untar com manteiga, forrar o fundo com papel vegetal e polvilhar com farinha duas formas redondas de 20 cm (podem usar uma forma grande e depois cortar o bolo mas a tarefa torna-se mais fácil cozendo logo em duas formas diferentes).

 

Aqueçam o forno a 180º.

 

Separem as gemas das claras. Numa tigela, batam as gemas com o açúcar até obterem um creme esbranquiçado e volumoso. A esta mistura juntem a farinha, o amido de milho e o fermento em pó e batam até estar tudo ligado. À parte, dissolvam o cacau na água a ferver e juntem esta mistura à massa do bolo.

 

Por fim, batam as claras em castelo bem firme e juntem-nas à restante massa, envolvendo com cuidado para não perderem muito ar.

 

Dividam a massa entre as duas formas e levem ao forno durante 20 a 25 minutos, ou até um palito sair limpo quando espetado no centro do bolo.

 

Enquanto os bolos cozem, façam a calda de açúcar que depois usarão para embeber o pão de ló. Levem ao lume meia chávena de açúcar com duas chávenas de água e, quando começar a ferver, contem cinco minutos. Desliguem o lume e deixem que arrefeça.

 

Quando os bolos estiverem frios, caso tenham subido muito, cortem o topo com uma faca serrilhada grande para que fiquem nivelados. Se tiverem uma cúpula nos bolos vai ser difícil empilhá-los.

 

Depois, embebam cada um dos bolos com a calda de açúcar usando um pincel de pastelaria. Sejam generosos, vai parecer que estão a pôr muita mas o bolo vai sugar a calda que lá puserem. Podem guardar num frasco a calda que sobrar e usar noutra ocasião.

 

Numa tigela batam as natas. Quando começarem a ficar firmes, juntem as duas colheres de açúcar e a pasta de baunilha e continuem a bater até obterem picos firmes (mas não deixem que se transformem em manteiga).

 

Agora vamos à montagem. Coloquem um dos bolos com a parte cortada para cima. No topo, coloquem natas, deixando uma margem de segurança já que, quando colocarem o outro bolo em cima, elas vão espalhar um pouco. Em cima das natas coloquem metade dos morangos cortados em quartos.

 

Em cima, com cuidado, coloquem o outro bolo (parte cortada para baixo, parte mais direita para cima). No topo coloquem de novo natas e morangos. Deixei alguns inteiros e com o pé para dar nas vistas e outros cortei em metades.

 

Guardem o bolo no frigorífico e comam fresquinho enquanto se lembram que a primavera já chegou.

 

 

Estes brownies não são para meninos

Há brownies e brownies. E estes brownies são do mais doentio que se pode fazer na cozinha. Se não bastasse serem brownies (sim, carregados de chocolate e manteiga) estes amigos têm caramelo pelo meio, numa espiral de decadência extrema.

 

Há muitas receitas de brownies com caramelo, ninguém inventou a roda com isto, mas a que usei encontrei numa edição da Jamie Magazine (Jamie, de Jamie Oliver, entenda-se).

 

Fiz uma pequena substituição, que o golden syrup cá em Portugal não está assim tão à mão de semear, mas correu tudo bem e houve lamber de dedos no final.

 

 

Ingredientes:

225 gr. de manteiga (mais um bocadinho para untar a forma)

250 gr. de chocolate negro (70% de cacau)

225 gr. de açúcar louro

4 ovos

150 gr. de farinha

1 c. chá de fermento em pó

 

(Para o caramelo)
40 ml de natas

1 c. chá de extrato de baunilha

15 gr. de manteiga

2 pitadas de sal

60 gr. de açúcar

40 gr. de mel

 

Comecemos por tratar da saúde ao caramelo: levei ao lume num tacho as natas, a baunilha, metade da manteiga e uma das pitadas de sal. Deixei que a manteiga derretesse em lume brando e quando a mistura começou a ferver, tirei do fogo.

 

Depois, num tacho com fundo pesado, coloquei o açúcar e o mel, levei ao lume e deixei que tudo derretesse e se misturasse, agitando o tacho de vez em quando (é importante não mexer com uma colher para o caramelo não cristalizar) até que a mistura ficasse com um tom de caramelo dourado.

 

Assim que atingiu esse ponto, retirei do lume, juntei ao preparado de natas, adicionei o resto da manteiga e levei de novo ao lume, onde mexi com carinho, até obter um caramelo homogéneo.

 

Peguei num pedaço grande de papel vegetal, molhei-o na torneira, sacudi o excesso de água e usei-o para forrar uma forma. Ali, despejei o caramelo. Este processo faz o caramelo arrefecer mais rapidamente e garante que ele não fica colado. Salpiquei o caramelo com a outra pitada de sal e coloquei a forma no frigorífico (30 minutos é o tempo de referência para ficar com a consistência certa).

 

Enquanto isso, aqueci o forno a 180º, untei e forrei com papel vegetal uma forma quadrada de 22x22 cm e fiz a massa de brownie. Derreti a manteiga num tacho e juntei o chocolate. Fui mexendo até derreter e se transformar num líquido brilhante onde dá vontade de molhar o dedo. Tirei esta mistura do lume e juntei-lhe o açúcar. Envolvi bem.

 

Depois do preparado de chocolate ter arrefecido uns minutos, juntei os ovos, um a um, batendo entre cada adição. Por fim, peneirei lá para dentro a farinha e o fermento e misturei bem até não restar vestígio da pó branco.

 

Despejei a massa para dentro da forma e tirei o caramelo do frigorífico. Com uma colher pequena, fui tirando bocados do caramelo e colocando aleatoriamente no meio da massa de chocolate, submergindo-os com as costas da colher, até haver pedaços de caramelo por todo o lado. Fiz isto com dois terços do caramelo.

 

O último terço, espalhei em fios por cima da massa, para ficar à vista como que a dizer "olhem que isto é mais que um brownie normal".

 

Levei ao forno durante mais ou menos 25/30 minutos, até estar firme mas ainda abanar um bocadinho no centro. Depois disso, é ter paciência até que esfrie, cortar aos quadrados e devorar à grande.