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Quanto Mais Quente Melhor

Doces com coração (e umas coisas salgadas pelo meio). Food porn descarado da cozinha (e das viagens) de uma jornalista doceira.

Por mares e canais muito navegados

 

A ausência acabou. As férias também. Houve Itália, Croácia, Grécia e Turquia por meio de avião, navio e gôndola. Houve comida para todos os gostos. Mas o que é bom acaba depressa e o trabalho já cá está de regresso.

 

Nos próximos dias contem com histórias de aventuras culinárias em tempo de férias e com novas receitas de inspiração mediterrânica cozinhadas já em território português.

Comidas de férias

Foi só uma semaninha de férias que souberam a pouco mas houve tempo para provar umas coisas.

 

Começámos a semana no brunch do Delidelux (já o conhecem certamente, é aquele com vista para o Rio em Santa Apolónia mais baratinho do que os da zona do Chiado) e passámos pelos maravilhosos crepes do Chef Nino, na LX Factory.

 

Também andámos pelo saloio Festival do Caracol, em Loures, onde provámos formas tão diversas de cozinhar o bichinho como caracoleta à Guilho (cheia de alho, boa mas boa), feijoada de caracoleta ou pataniscas de caracol. Rematámos o jantar com uns amendoíns artesanais torrados de uma empresa com sigla J.F.F que merecem uma medalha de melhor fruto seco da última década.

 

E terminámos a semana com um brunch caseiro, suado pela cozinheira de serviço, com direito a pão doce, muffins de chocolate (receita prometida para os próximos dias), ovinhos mexidos e sumo de laranja natural.

 

Comeu-se bem nestas curtas férias.

O meu pobre reino por uma dose bem servida de guacamole

Se há algo pelo qual devemos valorizar os Aztecas, para além dos milhares de sacrifícios humanos que alegadamente realizaram no topo das suas pirâmides, é por nos terem deixado o guacamole. Um molho? Um acompanhamento? Um repasto magnífico que, infelizmente, contribui para um agravar do hálito? Respondo que sim a todas as alíneas anteriores, bafejando guacamole na vossa direcção.

 

Bem sei que o clima já esteve mais primaveril e a tombar sobre nós com ares de Verão, mas o guacamole continua a chamar por nós. E por isso (e por que a Inês não tem o monopólio das receitas) aqui segue uma receita muito simples - demasiado simples, até.

 

Peguem em 2 ou 3 abacates maduros, meia cebola pequena, 1 dente de alho, meio pimento verde, 1 tomate, 2 limas. Não se esqueçam de ter coentros e sal por perto.

 

Comecem por retirar a pele e o caroço dos abacates. Juntem depois a cebola, o pimento, o dente de alho e o tomate, todos cortados em pedaços. Triturem todos os ingredientes com uma varinha mágica. Regar com o sumo das duas limas e temperar com sal e coentros. Vão provando (sem acabarem logo com o guacamole) para testarem a acidez ou não da mistela esverdeada que têm à vossa frente.

 

Depois basta pegar em nachos, tortilhas e similares e começarem a dippar sofregamente.

 

Banalidades requintadas (1)

A gula é um monstro. A gula é uma criatura horrível. A gula também é uma amiga que apenas nos quer ver maiores. Agradeço à gula muitas coisas, outras nem tanto. Nos últimos tempos tenho a agradecer-lhe ter-me "obrigado" a provar a cookie de chocolate branco do Jeronymo (a cadeia de cafetarias com que o senhor Jerónimo Martins decidiu adicionar um "y" ao seu nome, tornando-o tropical ou moderno?).

Pode parecer vulgar mas neste ponto, estou do lado da gula. Estamos no terreno da fabricação em massa mas ainda assim é possível encontrar surpresas. Elas aparecem embrulhadas numa repelente embalagem de plástico - é verdade. Mas esqueçamos isso e aprendamos a desfrutar desta pobre cookie que não tem culpa de ter nascido na cafetaria errada: tem a textura correcta, e esconde pedaços de chocolate branco na medida certa.

Eu já me rendi há algum tempo. Mas, como em tudo, este texto pode também ter sido escrito sob influência - a da gula.

Comida com orelhas de rato


Toda a gente já sabe a conversa de que a Disneyland Paris é um mundo mágico e que quem lá vai não quer voltar ao mundo real e tal e tal (e é verdade, não é conversa de marketing) mas do que nunca nos lembramos é de a terra europeia do Rato Mickey também é um óptimo sítio para se comer (se se tiver carteira para isso, é certo).

 

Costumo lá ir de tempos a tempos, algumas vezes em férias e várias vezes em trabalho (situação de privilégio no que diz respeito às paparocas servidas) e passei por lá este fim de semana para mais três dias de trabalho em ambiente de diversão. Não queria deixar passar a oportunidade de lembrar aqui os gostinhos que de lá trouxe e as coisas que voltei a comer e que sabem sempre melhor lá.

 

O absolutamente obrigatório, pelo menos para esta que vos escreve, é um daquele lindos donuts da lojinha de bolos da Main Street. Os branquinhos são os melhores mas os outros também marcham. E para quem preferir cookies gigantes ou brownies, vai também sair satisfeito.

 

Nas refeições mais substanciais, os buffets são boa opção e têm comida para todos os gostos. Mas o meu preferido é da imagem que vêem ali em cima, o do étnico Agrabah Café. Entra-se nas arábias e sai-se a rebolar com pão pita e baklava.

 

Depois há os jantares feitos para estes eventos de apresentação de qualquer coisa. Bandejas de queijo de todas as variedades, acepipes fofinhos e saborosos e sobremesas que de tão bonitinhas dá vontade de estragar. E claro que nunca, mas nunca, podem faltar as batatas com forma de cabeça de Mickey, iguaria obrigatória para os mais - e menos - pequenos.

 

Os clássicos de Natal

 

 

Tal como no cinema sabe bem rever anualmente os mais calorosos clássicos de Natal, também na cozinha natalícia há tradições repetentes. Como o carinho com que Judy Garland canta «Have Yourself a Merry Little Christmas» em «Meet Me In St. Louis» ou como o calor de Bing Crosby a cantar «White Christmas» para uma plateia de soldados, precisamente em «Natal Branco», também cá por casa se assumem as tarefas da quadra com todo o coração.

 

Em todas as mesas de Natal é preciso haver fritos. Natal não é Natal sem o dourado das filhozes, dos coscorões ou dos sonhos. E as filhozes, fazêmo-las cá em casa.

 

Herdei a tradição da família do meu mais-que-tudo e já se tornou um hábito anual. O ancião da família faz a massa (dá-lhe porrada à antiga, fórmula infalível para a sua qualidade). Depois, lá vai ela, embrulhada num cobertor para, durante algumas horas ali dormir uma sesta e crescer.

 

É a seguir que entra em campo o resto da família. A fazer lembrar o Charlie Chaplin de «Tempos Modernos», também ali se monta uma cadeia de operários. Um estende, o outro frita, o último reveste as ditas com os obrigatórios açúcar e canela. Terminada a maratona, dá-se cabo de algumas filhozes, ainda quentinhas, com o fumegar de um chá a acompanhar.

 

Mas, na minha mesa de Natal, para além dos tradicionais doces da quadra, há sempre alguns incontornáveis que se foram tornando presença habitual ao longo do tempo e nunca mais desapareceram. O Molotov tem de lá estar, assim como o bolo de chocolate (tão simples e tão único graças a um ingrediente secreto) ou a torta de noz. Assim como «Música no Coração» marca sempre presença em algum canal de televisão por esta altura, mesmo não sendo um filme de Natal.

 

Este ano vou ser vanguardista e atrever-me a colocar coisas novas na mesa. A ver se ninguém se queixa da irreverência.

Presentes com sabor

Não gosto de escolher prendas porque sim. Não gosto daquela sensação de dar o que me fez esperar menos tempo na fila ou o me apareceu à frente dos olhos quando a cabeça já não tinha mais forças para aturar a sede natalícia de prendas de última hora.

 

Também não acho que chocolates ou bebidas sejam prendas menores, desde que escolhidas com a dose certa de carinho.

 

Para este Natal, usei dois recursos preciosos para algumas prendas saborosas. Primeiro, uma banca que caiu do céu e foi parar ao Campo Pequeno. Uma senhora, dona de uma quinta no Algarve, trouxe para a capital os seus licores caseiros, os seus vinagres invulgares e as suas compotas artesanais. Passei, a senhora convenceu-me a provar os licores, e acabei por trazer alguns. Eu, que sempre tinha odiado as provas de licor de poejo, fiquei rendida..ao de poejo e ao de alfarroba.

 

 

Mas, ainda mais sedutores que este licores caseiros são os chocolates da Xocoa, aquela que, sem concorrência à altura, é a melhor chocolataria de Lisboa. Com personalidade, originalidade e uma ligação próxima à cidade que, até nas embalagens dos chocolates está à vista (há uma tablete revestida com uma imagem de um eléctrico).

 

Carota, sim senhores, mas não vale muito mais dar umas notas por chocolates feitos com coração do que por um gadget de última geração vindo de uma fábrica onde os operários vivem infelizes na sua função? Pronto, está bem, o gadget também seria bem-vindo mas estes presentes com sabor são, sem dúvida, mais valiosos.

 

Objectivo para o próximo ano: ter tempo para fazer os meus próprios presentes com sabor.

Cupcakes e a cidade

Vieram de outras bandas para cá, começaram com uma amostra no Campo Pequeno mas já estenderam os seus tentáculos para fora (Saldanha, Colombo e Alegro, se a memória não me engana). A personagem de Sarah Jessica Parker em «O Sexo e a Cidade» encarregou-se de os pôr na moda, já toda a gente sabe e se cansou de ouvir, mas cá em Lisboa também já passaram a fazer parte da cidade.

 

 

Hoje, a Merry Cupcakes lançou o seu primeiro livro de receitas com o DN e o JN e eu não tenho pudor de dizer que, de peito feito, o fui comprar e que, sim, vou roubar descaradamente as receitas que já costumava trazer compostas em caixinhas cá para casa...Esporadicamente, entenda-se, que isto de comer cupcakes é merry mas não faz lá muito bem.