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Quanto Mais Quente Melhor

Doces com coração (e umas coisas salgadas pelo meio). Food porn descarado da cozinha (e das viagens) de uma jornalista doceira.

Crepes (com frutos vermelhos e molho de chocolate)

Sou fã de panquecas mas sou ainda mais fã de crepes. O facto de serem muito mais fininhos tem muitas vantagens. Listemo-las: uma base muito maior para colocar coisas pecaminosas várias em cima, umas bordas crocantes em vez de fofas, uma origem francesa que dá um ar pomposo a qualquer lanche ou pequeno-almoço (não desfazendo da origem mais anglo-saxónica das panquecas).

 

O que é ainda melhor é que, desde que estejam com um bocadinho de paciência para os cozinhar, fazer crepes não é coisa que dê muito trabalho e pode mesmo ser uma programa giro para fazer com amigos ou com os miúdos lá de casa.

 

Deixo-vos a receita base e algumas sugestões para toppings. Mas estão à vontade para experimentar outras coisas.

 

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Ingredientes (para duas pessoas muito gulosas ou três com menos fome):

1 chávena de farinha com fermento

2 ovos

270 ml de leite

15 gr. de manteiga derretida

1 pitada de sal

1 colher de sopa de açúcar

1 colher de chá de extrato de baunilha (opcional)

Raspa de um limão pequeno (opcional)

 

Para cobrir os crepes:

Frutos vermelhos

Ganache de chocolate (receita no fim do texto)

 

Fazer a massa é tão simples como bater os ovos, juntar todos os outros ingredientes exceto a manteiga derretida, bater tudo, só no fim juntar a manteiga e mexer novamente.

 

Depois disto é preciso deixar a massa descansar uns 30 minutos. Se estiverem com muita pressa podem começar logo a cozinhar os crepes mas o descanso faz a diferença.

 

Terminado o tempo de repouso, aqueçam uma frigideira antiaderente e com as laterais baixas (eu uso mesmo uma para crepes) e coloquem uma noz de manteiga no fundo.

 

Quando a manteiga tiver derretido, despejem uma concha mal cheia de massa e vão manuseando a frigideira para que a massa cubra todo o fundo uniformemente e fiquem com uma camada muito fina. Têm de ser rápidos neste processo mas, ao fim de dois ou três crepes, vão ver que apanham o jeito.

 

Deixem cozinhar até que as pontas comecem a soltar-se e depois, com uma espátula larga e um movimento confiante, virem o crepe e permitam que cozinhe mais um minuto do outro lado. Retirem o crepe para um recipiente e cubram com um pano de cozinha limpo para que não arrefeça enquanto fazem os restantes.

 

Repitam o processo até não restar massa e vão colocando nozes de manteiga sempre que a vossa frigideira começar a querer pegar. Sendo a frigideira antiaderente diria que devem colocar uma noz muito pequena a cada dois ou três crepes que fizerem.

 

Para fazerem a ganache de chocolate, levem ao lume 100 ml de natas com uma colher de sopa de açúcar. Esperem que comecem a ferver e depois deitem-nas por cima de 100 gramas de chocolate de culinária (70% de cacau) partido aos pedaços. Esperem dois ou três minutos e mexam até ficarem com um molho bem ligado. O chocolate deverá ter derretido todo mas caso tenham sobrado alguns pedaços por derreter coloquem o recipiente durante alguns segundos no microondas e voltem a mexer.

 

Espalhem uma colher de ganache no vosso crepe, cubram com frutos vermelhos, dobrem o crepe em quatro e polvilhem com açúcar em pó. São também deliciosos apenas com açúcar e canela ou com uma compota ao vosso gosto.

Torta fofinha com creme de lima e frutos vermelhos

A torta anda por nossas casas desde o tempo das nossas avós. Com compota ou doce de ovos a jorrar pela espiral de pão-de-ló, é um docinho que agrada a todos os paladares. E é muito fácil fazer uma torta diferente, mais fora do comum. Basta arriscar no recheio.

 

Esta bonitona vem mesmo a calhar para estes dias de verão em que apetece comer sobremesas com fruta. Agora, atirem-se vocês a ela.

 

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Ingredientes:

(para a torta)

6 ovos

6 c. sopa de açúcar

5 c. sopa de farinha

1 c. chá de fermento em pó

1 c. chá de extrato de baunilha

 

(para o creme de lima)

3 ovos

3/4 chávena de açúcar

1/2 chávena de sumo de lima

raspa de duas limas

1 pitada de sal

3 c. sopa de manteiga

 

150 g de frutos vermelhos (framboesas, amoras, mirtilos ou a mistura que preferirem)

1 c. sopa de açúcar em pó

 

Comecem por untar e forrar com papel vegetal uma forma rectangular. Aqueçam o forno a 175º.

 

Batam as gemas com o açúcar até terem um creme esbranquiçado e bem fofo cujo volume duplicou. Juntem a baunilha e misturem. Adicionem depois a farinha e o fermento peneirados e envolvam tudo.

 

À parte, batam as claras em castelo bem firme e envolvam-nas no preparado anterior, com cuidado para não perderem o ar.

 

Deitem a massa na forma, nivelem-na para ficar direitinha e levem ao forno durante uns 10/15 minutos, até estar dourada por cima. Fiquem atentos para que ela não coza em demasia, é essa uma das chaves para a torta não estalar quando a enrolarem.

 

Retirem-na do forno, desenformem-na para cima de uma folha de papel vegetal untada e, com a torta ainda quente, enrolem-na a partir do lado mais comprido entre esta folha e a que já vinha com ela da forma. Na prática, vão enrolá-la sem recheio entre duas folhas de papel vegetal untadas. Este processo vai fazer com que seja muito mais fácil colocar o recheio e voltar a enrolar quando a torta já estiver fria. Se saltarem este passo, a probabilidade de a torta rachar ao enrolar é muito maior.

 

Enquanto a torta arrefece, preparem o recheio. Misturem os frutos vermelhos com o açúcar em pó e deixem-nos macerar enquanto tratam do resto.

 

Vamos então ao creme de lima: misturem num tacho os ovos, o sumo e a raspa da lima, o sal e o açúcar e, depois de envolverem bem esta mistura, levem-na ao lume, mexendo sempre até engrossar. Para os mais impacientes, isto não demora mais do que cinco minutos e é mesmo importante que não parem de mexer para não ganhar grumos. Assim que engrossar, baixem o lume, juntem a manteiga cortada em cubos e mexam até estar tudo homogéneo. Retirem do lume e deixem que arrefeça completamente.

 

Com tudo já frio, vamos ao recheio da torta. Desenrolem a torta e retirem o papel de vegetal que está no topo, espalhem o creme de lima (podem exagerar um bocadinho, mesmo que saia pelos lados ninguém leva a mal) e coloquem por cima os frutos vermelhos e o molhinho que entretanto eles devem ter criado quando maceraram com o açúcar em pó. Tentem que os frutos não fiquem muito próximos das pontas para não caírem ao enrolar.

 

Com cuidado, voltem a enrolar a torta e transfiram-na para o prato de servir. Polvilhem com açúcar em pó e deliciem-se, que esta sobremesa não é para brincadeiras.

Pavlova com frutos vermelhos e creme de limão

 

Que o extenso nome desta sobremesa não vos assuste. Parece complexa mas não é, só exige algum tempo disponível para fazer baby sitting à pavlova no forno. E, aqui entre nós, se estiverem com pressa também podem comprar suspiros na loja, esmigalhá-los e repartir esta receita por copos.

 

Pavlova vem de Anna Pavlova, a célebre bailarina russa. Mais retro do que esta sobremesa é difícil encontrar mas eu gosto de coisas com cheiro a antigo e, ainda por cima, ela parece estar de novo na moda. Por alguma razão, talvez porque o nome seja uma homenagem a uma bailarina, e porque a minha pavlova tem muito vermelho em cima, nos dias em que tenho vontade de a fazer também fico com uma súbita vontade de ver «Os Sapatos Vermelhos», obra-prima do cinema de Michael Powell e Emeric Pressburger com o glorioso Techicolor que também parece ganhar vida neste doce.

 

Mas porque isto já se está a tornar extenso e um bocadinho a puxar ao geek, vamos ao que interessa.

 

Ingredientes:

4 claras de ovo (de ovos grandes)

1 pitada de sal

1 chávena de açúcar

2 colheres de chá de farinha Maizena

1 colher de chá de vinagre de vinho branco

1/2 colher de chá de extrato de baunilha

1 pacote de natas para bater (200 ml)

1 colher sopa de açúcar

1/2 frasco de Lemon Curd (não me atormento a fazer a receita se comprar o da MacKays, que é muito bom e há em vários supermercados)

Frutos vermelhos a gosto (eu uso amoras, framboesas, mirtilos e morangos)


Primeiro, vamos à base: a pavlova. Pré-aqueço o forno a 180º. Ponho uma folha de papel vegetal num tabuleiro e desenho um círculo no papel (uso uma base de uma tarteira como molde para o círculo). 

 

Começo por separar as claras das gemas (podem sempre usar as gemas noutra receita) e bato-as até estarem firmes. Junto depois a chávena de açúcar e bato até sentir que o açúcar se dissolveu e estar tudo brilhante. A esta mistura junto, envolvendo com cuidado, o vinagre, a farinha maizena peneirada e o extrato de baunilha.

 

Coloco a mistura no meu círculo de papel vegetal com a ajuda de uma espátula. Eu costumo deixar o lado exterior do círculo mais alto do que o centro para ter uma espécie de ninho que no final leva todas as coisas boas em cima. Mas não precisam de ser muito exatos, é bom se ficar meio torto e rústico.

 

Coloco a pavlova no forno e baixo imediatamente a temperatura para 100º. Deixo cozer durante uma hora e meia, altura em que desligo o forno e deixo a pavlova lá ficar dentro mais uma hora. Se tudo correr bem, vai ficar estaladiça por fora e fofinha por dentro.

 

Quando estiver fria, e de preferência, pouco tempo antes de a servir, faço a cobertura. Bato as natas com a colher de açúcar e junto-lhes metade do creme de limão (lemon curd) mas sem misturar completamente. Uso um garfo para criar um efeito de mármore.

 

Espalho esta mistura em cima da pavlova, tendo cuidado para não cair para os lados. De seguida, com uma colher vou deixando cair em fio o resto do creme de limão, da forma que mais gostar. Por fim, coloco em cima os frutos vermelhos.

 

É uma vitória garantida quando é preciso impressionar convidados. A cobertura não tem obrigatoriamente de ser esta e pode variar de acordo com o gosto de quem a escolhe (qualquer fruta serve, com compota em vez de creme de limão também resulta).

 

P.S.: Desculpem a qualidade da foto, não é a melhor mas não tinha a minha máquina à mão na altura.